segunda-feira, 20 de março de 2017

Vilancetes

Deixo-vos alguns trabalhos sobre Vilancetes


Arrábida Serra Mãe

Arrábida minha querida serra mãe
Não quero jamais, separar-me de ti
Foi do teu ventre, que um dia nasci

Um profundo oceano te enleia
Num lindo azul infindável
Tornando-te paraíso único e agradável
O vento soprando, tua flora penteia
Visto ao longe, teu relevo no céu serpenteia
Beleza rara como a tua nunca vi
Foi do teu ventre, que um dia nasci.

Ao penetrarmos na tua densa vegetação
Tão única, tão bela e imperiosa
Flutua no ar a tua flora cheirosa
Que nos oferece paz de alma, uma benção
nos envolve numa extasiante absorção
fauna imensa e diversa como nunca vi
foi no teu ventre, que um dia eu nasci

Por, Mário Santos



Viajo no tempo
Num rasto de luz
Que me seduz e conduz

Espaço fora o assumo
Toda a alma e coração
Mergulho na imensidão
Os meus sentidos aprumo
O infinito é o meu rumo
Neste caminho de luz
Que me seduz e conduz

Num silêncio pacificador
Oiço a música dos anjos
Unida ao céu e aos arcanjos
Um melodia de amor
De magia e fulgor
Nesta inebriante luz
Que me seduz e conduz

Por, Maria de Lurdes Louro

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Poemas livres

Foi solicitado aos alunos que elaborassem um poema completamente livre. Dos que me entregaram escolhi estes:

Desejo insaciável

Chega o inverno, vais-te embora
Levando contigo o meu desejo
Os dias passam e não vejo a hora
De sentir de novo esse teu beijo

Quando estás para chegar
Aumenta em mim a saudade
Até sinto o peito arfar
Nesta tão louca ansiedade

Ao pensar na tua essência
Cresce-me água na boca
Nessa tua adolescência
Tão quentinha como louca

Para mim és divindade
Não me consigo controlar
No desejo que me invade
Na ânsia de te beijar

Só no verão posso ter
Esse teu sabor delicioso
Para me poder satisfazer
Num vai e vem tão gostoso

Adoro dar-te dentadinhas
Antes de comer-te por completo
Que saudades das pequenas sardinhas
O meu manjar predileto


Por, Mário Santos
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Eu queria sorrir

Sorri, eu pudesse sempre
Se estivesses ao meu lado
Junto ao meu peito presente
Sentir o teu doce afago!

Sorrir, eu pude um dia
Quando estavas junto a mim
Ouvindo as doces melodias
Na tua voz de cetim...

Sorrir, oh doce alegria!
Se voltares para o meu regaço
A meu lado, noite e dia
Envolvidas em teu abraço

Vem, traz-me o sorriso de novo
Chega com teu grande fulgor
Vem com teu olhar de fogo
Embriagar-me de amor!

Unidos, nós sorriremos
Das desilusões da vida
Nós dois, um só seremos
Iremos de cabeça erguida!

Por, Luciana Rocha
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Canção de estudantes


Nicolau Copérnico esforçou-se muito
Para confirmar a rotação dos planetas
O pateta, só devia embebedar-se
Para nem a sombra da dúvida ter aparecido.

Cristóvão Colombo fez uma viagem perigosa
Para encontrar o novo continente
Era melhor ter encontrado uma cervejaria
Para se sentir satisfeito e contente

Isaac Newton trabalhou como um galego
Para provar a atração dos corpos.
Maluco, devia apenas apaixonar-se
Para que as dúvidas se esfumassem.

Charles Darwin inquietou-se imenso
Para demonstrar a procedência da vida.
Ridículo, só devia casar-se para
nesta experiência, não se sentir perdido.

Leiam e estudem de vez em quando,
Os testes e exames vão passando.
Então, encham os copos dos seus vizinhos,
Apaixonem-se, casem-se e bebam vinhos!

Por, Irina Lyubomirskaya

HAICAI/HAIKU

O haicai, conhecido entre os japoneses e em quase todos os países como haiku, é uma modalidade poética originária do Japão, que prima principalmente por sua brevidade, pela clareza e por ser estritamente objetivo. Estes poemas são construídos com apenas três linhas – na primeira e na derradeira aparecem cinco caracteres japoneses, correspondentes as nossas tradicionais sílabas; sete sinais definem o segundo verso.

Fonte: http://www.infoescola.com/literatura/haicais/

Deixo aqui alguns exemplos, elaborados pelos alunos da Oficina da Poesia:

Expetativa


Maravilhoso
Campo de malmequeres
Amor risonho

Enamorados
Mal me quer, Bem me quer
Ternos afagos

Intimidade
Volúpia amorosa
Cores, matizes

Paixão sentida
Brilham as estrelas no Céu
O mundo suspenso!...


Por, Maria de Lurdes Louro Simas

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Os sons da manhã,
Despertam os alegres
trinados das aves

Brotam as flores
Exóticas, perfumando
A manhã quente

A água da nascente
Desce sussurrante
Refrescando o ar

Dormem as águas
tranquilas do lago,
Nascem nenúfares

O rio que desce
Melancólico, busca
O lago outonal

O sol da manhã
Desvanece a neve
Pendente dos ramos

Depois da chuva,
brilham diamantes
Nas gotas que ficam

O sol despertou
Vencendo a neblina,
Floriu a campina

O vento suão
Transforma a campina
Mudando-lhe a cor

Nas noites de junho
Saltando fogueiras
Com risos de fumo

Nas noitesserenas,
Cantam em serenata
Os grilos no pasto.


Por, António Alberto



domingo, 11 de dezembro de 2016

Poema erótico

Foi lido na aula um poema erótico de Jorge Morais " Nu-banho", na antologia "A poesia nos blogs" (2006) e foi então solicitado aos alunos que escrevesse um poema de tema livre mas que fosse erótico.
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Faz-me

Faz-me 
Sonhar contigo
Fazer-te bem
Fazer-te mal
Fundir-me em ti
Beber-te o sal
Sorver-te o mel
Beijar a seda
Da tua pele.

Por, Alberto Dias

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Conta-me

Pediste-me que te contasse
Meus segredos e ficasse
Ciente dos teus desejos
Contei tudo o que guardava
E confesso que esperava
Satisfazer meus ensejos

Vi-te toda arrepiada
A gritar desesperada
Acorda-me os meus sentidos
Sopravas e barafustavas
E toda tu ondeavas
Em convulsões e gemidos

Acedi ao teu pedido
P´ra lambuzar-te o ouvido
E ficaste como louca
Porém não valeu de nada
Tu ficaste lambuzada
E eu sem saliva na boca

Que raio de pedido este
Nem sei bem porque o fizeste
Ou se ficaste satisfeita
Já que a tua perversidade
Só me deixou na verdade
Com a pele e a boca seca.

Por, António Alberto

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Em baixo
Eu pus-te em baixo.
Ao lado, ao lado
eu pus-te ao lado.
Em cima, em cima
eu pus-te em cima,
rodei contigo
rodei comigo,
e logo depois
rodámos os dois.
Estás a aquecer...?
Eu estou a tremer...
Mas fiquei queimada,
não dei por isso
não dei por nada,
És cu cu curioso...
És cu cu curiosa...
Meti-te dentro
Ficou gostosa.
Tirei pra fora
naquela hora
dei uma trincada.
Que saborosa...!
Escaldei a boca
como uma louca
sou uma gulosa
Esmaguei-te
que nem uva
Pus-te no pão
Pingos de chuva
Que sensação!
Comemos todos
Há vinho a rodos
É uma festa!
É a cenoura encarnada
É o chouriço bem mexido
É a carne entrelaçada
É o cozido.
Ninguém protesta
Que é comido
Com satisfação
E festejado
Bocado a bocado
sem a pressão
que na panela
se faz sentir
pra te cozer...
É chegado o tempo
de te servir.
Bom apetite!
Vamos curtir!
Vamos comer!

Por, anna netto


José Luis Peixoto

Foi lido na aula a biografia e 3 poemas de José Luis Peixoto e após ter lido o "Arte Poética", solicitei aos alunos que fechassem os olhos e que se lembrassem de um cheiro que lhes despertasse os sentidos e que escrevessem a primeira coisa que lhes viesse à cabeça. E aproveitando essa primeira memória, que a desenvolvessem num poema descritivo desse cheiro...
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O aroma da festa

Não houve Natal na altura do "Comunismo"
Nem quaisquer outras festas religiosas,
Elas foram proibidas completamente.
Houve uma única festa diferente,
A passagem de ano,
Que trazia alegria e libertação da ideologia.
Todas as casas, por mais pobre que fossem,
Enchiam-se do cheiro desta festa.
O aroma foi composto
Pelas duas fragrâncias,
De uma árvore coberta de agulhas,
Que na altura nunca foi sintética,
E das frutinhas redondas,
Amarelas ou cor de laranja,
Raras, na minha terra, e por isso valiosas,
Cascas daquelas frutinhas
Guardavam-se durante muito tempo
Para que o cheiro ajudasse
A manter em casa, o mais tempo possível,
A sensação desta festa,
Singular e muito esperada
Por toda a população do país do "Comunismo"


Por, "Irina Lyubomirskaya
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Odores

A casa era térrea.
Grandes espaços a envolviam.
Eu era uma miúda que gostava de observar...
Abri a janela do meu quarto:
Fiquei a olhar a vastidão de terra seca
preenchida por algum restolho...
O verão estava no seu auge. O calor sufocava...
Nada fazia lembrar a chuva,
Mas eis que ela apareceu assim,
De repente, acompanhada por trovões!
Era a trovoada, Dizia a mãe!
Também fazia sol ao redor daquela nuvem cinzenta.
A nuvem escura, depressa desapareceu...
O arco-íris formado, me atraía...
Para mim era um mistério...as cores deslumbrantes
fascinavam-me!
Donde sairia aquele leque de tons maravilhosos?
A chuva depressa passou,
ficando no ar um cheiro intenso a terra molhada,
de tons mais escurecidos...
Era um cheiro forte e activo,
Absorvente e inesquecível seguramente...
Esse odor ficou-me impregnado nos meus sentidos
desde esse dia, ao longo da minha vida...
Esse cheiro a terra molhada, regada, amolecida,
desperta em mim a certeza de mudança,
do ressurgimento de vida nova,
da esperança em novas colheitas...

Por, Luciana Rocha

Texto de Inês Pedrosa

"Toda a gente sabe que um poema é um composto de relâmpagos de linguagem que nos permite quebrar o vidro fosco do tempo e descrever as cores e a vibração das almas. Há quem prefira definir o poeta como aquele que condensa num mínimo de palavras a corrente contínua da experiência, a indefinição da personalidade humana e o choque frontal entre as circunstâncias externas e a temperatura íntima."

Inês Pedrosa,

Poemas de Amor - Antologia da Poesia Portuguesa (2000)

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Foi solicitado aos alunos que interiorizassem este pequeno texto e que escrevessem um poema livre mas enquadrado no mesmo.

Gente que sente

Gente que sente...é gente

É gente que mente
Que sonha
Que ama
É igual a toda a gente

Mas a mão que escreve
De forma ardente
Um canto da mente
É de gente diferente

É de gente
Que sente na alma
O que a gente, nem sente...

Essa gente...

És tu poeta
Que tanto sentes...


Por, Fátima Silva
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Sentimento falado

Se pudesses por um momento
Ler os meus pensamentos,
Os meus silêncios,
As palavras por mim não ditas...
Saberias como a minha alma segue aflita,
Neste mundo imundo,
Onde o certo é incerto,
As memórias cada vez mais apagadas,
A segurança cada vez mais indistinta,
Olho os rostos de quem passa,
E vislumbro uma alegria quase invisível...
Ai se os pudesses ler...
Talvez assim aceitasses,
Todo o amor que nutro por ti.

Por, Mário Santos

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Epopeia

Falámos sobre o género "Epopeia" e a título de desafio, foi solicitado aos alunos que tentassem fazer uma Epopeia com o máximo de ...