Foi solicitado aos alunos que trouxessem um poeta e um poema do próprio com a única regra, que não fosse português, nem brasileiro.
Deixo aqui exemplos que trouxeram:
- Emily Dickinson
- Pablo Neruda
- Mia Couto
- Victor Jara
- Leonard Cohen
- Victor Hugo
- Golgona Anghel
- Alda Lara
- Lars Forssell
Foi uma aula muito enriquecedora!
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Início do ano lectivo
Começámos o ano com o poeta Evgueni Evtushenco
Poeta Russo, do período literário pós-estalinista da União Soviética e autor de Babi Yar ( 1961), sobre o massacre de quase 34 mil judeus ás mãos dos nazis em Kiev.
Nasceu em Julho de 1932, morrendo em Abril de 2017.
A aluna Irina leu um poema em russo na aula e na semana seguinte trouxe o mesmo poema já traduzido por si mesma que aqui deixo.
Os mistérios
De Evgueni Evtushenco
Os mistérios da adolescência imatura,
desapareceram como neblinas.
Tudo era enigmático na altura,
Plantas, pessoas, Albertos, Albinas.
Eram misteriosas flores, estrelas,
Aves, aviões, tempestades e velas...
O ranger das portas, pareceu pedidos
de ajuda, os adultos não lhes davam ouvidos.
Nós sussurrávamos misteriosamente
E as ondas também sussurravam.
E, como dois enigmas inocentes,
Duas mãos se encontravam.
Surgiam os mistérios novos
Como truques de mágico brilhante
Que os tirava como os ovos
do chapéu gasto mas elegante.
De repente chegou a maturidade,
o mágico sumiu como a imagem da areia,
Ele desinteressou-se da nossa idade
E foi actuar na infância alheia.
E deixou-nos sentir saudades
Da magia das nossas tristezas,
Dos mistérios das tempestades,
dos segredos das estranhezas.
E quando se aproxima uma mão
acariciando carinhosamente,
Já não é um enigma, oh não,
É, apenas a mão, pura e simplesmente.
Conheci e aceitei o paradigma.
Mas ando a repetir o que se deseja:
Deixem-me encontrar um único enigma,
Um mistérios, por mais pequeno que seja.
Poeta Russo, do período literário pós-estalinista da União Soviética e autor de Babi Yar ( 1961), sobre o massacre de quase 34 mil judeus ás mãos dos nazis em Kiev.
Nasceu em Julho de 1932, morrendo em Abril de 2017.
A aluna Irina leu um poema em russo na aula e na semana seguinte trouxe o mesmo poema já traduzido por si mesma que aqui deixo.
Os mistérios
De Evgueni Evtushenco
Os mistérios da adolescência imatura,
desapareceram como neblinas.
Tudo era enigmático na altura,
Plantas, pessoas, Albertos, Albinas.
Eram misteriosas flores, estrelas,
Aves, aviões, tempestades e velas...
O ranger das portas, pareceu pedidos
de ajuda, os adultos não lhes davam ouvidos.
Nós sussurrávamos misteriosamente
E as ondas também sussurravam.
E, como dois enigmas inocentes,
Duas mãos se encontravam.
Surgiam os mistérios novos
Como truques de mágico brilhante
Que os tirava como os ovos
do chapéu gasto mas elegante.
De repente chegou a maturidade,
o mágico sumiu como a imagem da areia,
Ele desinteressou-se da nossa idade
E foi actuar na infância alheia.
E deixou-nos sentir saudades
Da magia das nossas tristezas,
Dos mistérios das tempestades,
dos segredos das estranhezas.
E quando se aproxima uma mão
acariciando carinhosamente,
Já não é um enigma, oh não,
É, apenas a mão, pura e simplesmente.
Conheci e aceitei o paradigma.
Mas ando a repetir o que se deseja:
Deixem-me encontrar um único enigma,
Um mistérios, por mais pequeno que seja.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Vilancetes
Deixo-vos alguns trabalhos sobre Vilancetes
Arrábida Serra Mãe
Arrábida minha querida serra mãe
Não quero jamais, separar-me de ti
Foi do teu ventre, que um dia nasci
Um profundo oceano te enleia
Num lindo azul infindável
Tornando-te paraíso único e agradável
O vento soprando, tua flora penteia
Visto ao longe, teu relevo no céu serpenteia
Beleza rara como a tua nunca vi
Foi do teu ventre, que um dia nasci.
Ao penetrarmos na tua densa vegetação
Tão única, tão bela e imperiosa
Flutua no ar a tua flora cheirosa
Que nos oferece paz de alma, uma benção
nos envolve numa extasiante absorção
fauna imensa e diversa como nunca vi
foi no teu ventre, que um dia eu nasci
Por, Mário Santos
Viajo no tempo
Num rasto de luz
Que me seduz e conduz
Espaço fora o assumo
Toda a alma e coração
Mergulho na imensidão
Os meus sentidos aprumo
O infinito é o meu rumo
Neste caminho de luz
Que me seduz e conduz
Num silêncio pacificador
Oiço a música dos anjos
Unida ao céu e aos arcanjos
Um melodia de amor
De magia e fulgor
Nesta inebriante luz
Que me seduz e conduz
Por, Maria de Lurdes Louro
Arrábida Serra Mãe
Arrábida minha querida serra mãe
Não quero jamais, separar-me de ti
Foi do teu ventre, que um dia nasci
Um profundo oceano te enleia
Num lindo azul infindável
Tornando-te paraíso único e agradável
O vento soprando, tua flora penteia
Visto ao longe, teu relevo no céu serpenteia
Beleza rara como a tua nunca vi
Foi do teu ventre, que um dia nasci.
Ao penetrarmos na tua densa vegetação
Tão única, tão bela e imperiosa
Flutua no ar a tua flora cheirosa
Que nos oferece paz de alma, uma benção
nos envolve numa extasiante absorção
fauna imensa e diversa como nunca vi
foi no teu ventre, que um dia eu nasci
Por, Mário Santos
Viajo no tempo
Num rasto de luz
Que me seduz e conduz
Espaço fora o assumo
Toda a alma e coração
Mergulho na imensidão
Os meus sentidos aprumo
O infinito é o meu rumo
Neste caminho de luz
Que me seduz e conduz
Num silêncio pacificador
Oiço a música dos anjos
Unida ao céu e aos arcanjos
Um melodia de amor
De magia e fulgor
Nesta inebriante luz
Que me seduz e conduz
Por, Maria de Lurdes Louro
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Poemas livres
Foi solicitado aos alunos que elaborassem um poema completamente livre. Dos que me entregaram escolhi estes:
Desejo insaciável
Chega o inverno, vais-te embora
Levando contigo o meu desejo
Os dias passam e não vejo a hora
De sentir de novo esse teu beijo
Quando estás para chegar
Aumenta em mim a saudade
Até sinto o peito arfar
Nesta tão louca ansiedade
Ao pensar na tua essência
Cresce-me água na boca
Nessa tua adolescência
Tão quentinha como louca
Para mim és divindade
Não me consigo controlar
No desejo que me invade
Na ânsia de te beijar
Só no verão posso ter
Esse teu sabor delicioso
Para me poder satisfazer
Num vai e vem tão gostoso
Adoro dar-te dentadinhas
Antes de comer-te por completo
Que saudades das pequenas sardinhas
O meu manjar predileto
Por, Mário Santos
___________________________
Eu queria sorrir
Sorri, eu pudesse sempre
Se estivesses ao meu lado
Junto ao meu peito presente
Sentir o teu doce afago!
Sorrir, eu pude um dia
Quando estavas junto a mim
Ouvindo as doces melodias
Na tua voz de cetim...
Sorrir, oh doce alegria!
Se voltares para o meu regaço
A meu lado, noite e dia
Envolvidas em teu abraço
Vem, traz-me o sorriso de novo
Chega com teu grande fulgor
Vem com teu olhar de fogo
Embriagar-me de amor!
Unidos, nós sorriremos
Das desilusões da vida
Nós dois, um só seremos
Iremos de cabeça erguida!
Por, Luciana Rocha
______________________
Canção de estudantes
Nicolau Copérnico esforçou-se muito
Para confirmar a rotação dos planetas
O pateta, só devia embebedar-se
Para nem a sombra da dúvida ter aparecido.
Cristóvão Colombo fez uma viagem perigosa
Para encontrar o novo continente
Era melhor ter encontrado uma cervejaria
Para se sentir satisfeito e contente
Isaac Newton trabalhou como um galego
Para provar a atração dos corpos.
Maluco, devia apenas apaixonar-se
Para que as dúvidas se esfumassem.
Charles Darwin inquietou-se imenso
Para demonstrar a procedência da vida.
Ridículo, só devia casar-se para
nesta experiência, não se sentir perdido.
Leiam e estudem de vez em quando,
Os testes e exames vão passando.
Então, encham os copos dos seus vizinhos,
Apaixonem-se, casem-se e bebam vinhos!
Por, Irina Lyubomirskaya
Desejo insaciável
Chega o inverno, vais-te embora
Levando contigo o meu desejo
Os dias passam e não vejo a hora
De sentir de novo esse teu beijo
Quando estás para chegar
Aumenta em mim a saudade
Até sinto o peito arfar
Nesta tão louca ansiedade
Ao pensar na tua essência
Cresce-me água na boca
Nessa tua adolescência
Tão quentinha como louca
Para mim és divindade
Não me consigo controlar
No desejo que me invade
Na ânsia de te beijar
Só no verão posso ter
Esse teu sabor delicioso
Para me poder satisfazer
Num vai e vem tão gostoso
Adoro dar-te dentadinhas
Antes de comer-te por completo
Que saudades das pequenas sardinhas
O meu manjar predileto
Por, Mário Santos
___________________________
Eu queria sorrir
Sorri, eu pudesse sempre
Se estivesses ao meu lado
Junto ao meu peito presente
Sentir o teu doce afago!
Sorrir, eu pude um dia
Quando estavas junto a mim
Ouvindo as doces melodias
Na tua voz de cetim...
Sorrir, oh doce alegria!
Se voltares para o meu regaço
A meu lado, noite e dia
Envolvidas em teu abraço
Vem, traz-me o sorriso de novo
Chega com teu grande fulgor
Vem com teu olhar de fogo
Embriagar-me de amor!
Unidos, nós sorriremos
Das desilusões da vida
Nós dois, um só seremos
Iremos de cabeça erguida!
Por, Luciana Rocha
______________________
Canção de estudantes
Nicolau Copérnico esforçou-se muito
Para confirmar a rotação dos planetas
O pateta, só devia embebedar-se
Para nem a sombra da dúvida ter aparecido.
Cristóvão Colombo fez uma viagem perigosa
Para encontrar o novo continente
Era melhor ter encontrado uma cervejaria
Para se sentir satisfeito e contente
Isaac Newton trabalhou como um galego
Para provar a atração dos corpos.
Maluco, devia apenas apaixonar-se
Para que as dúvidas se esfumassem.
Charles Darwin inquietou-se imenso
Para demonstrar a procedência da vida.
Ridículo, só devia casar-se para
nesta experiência, não se sentir perdido.
Leiam e estudem de vez em quando,
Os testes e exames vão passando.
Então, encham os copos dos seus vizinhos,
Apaixonem-se, casem-se e bebam vinhos!
Por, Irina Lyubomirskaya
HAICAI/HAIKU
O haicai, conhecido entre os japoneses e em quase todos os países como haiku, é uma modalidade poética originária do Japão, que prima principalmente por sua brevidade, pela clareza e por ser estritamente objetivo. Estes poemas são construídos com apenas três linhas – na primeira e na derradeira aparecem cinco caracteres japoneses, correspondentes as nossas tradicionais sílabas; sete sinais definem o segundo verso.
Fonte: http://www.infoescola.com/literatura/haicais/
Deixo aqui alguns exemplos, elaborados pelos alunos da Oficina da Poesia:
Expetativa
Maravilhoso
Campo de malmequeres
Amor risonho
Enamorados
Mal me quer, Bem me quer
Ternos afagos
Intimidade
Volúpia amorosa
Cores, matizes
Paixão sentida
Brilham as estrelas no Céu
O mundo suspenso!...
Por, Maria de Lurdes Louro Simas
___________________
Os sons da manhã,
Despertam os alegres
trinados das aves
Brotam as flores
Exóticas, perfumando
A manhã quente
A água da nascente
Desce sussurrante
Refrescando o ar
Dormem as águas
tranquilas do lago,
Nascem nenúfares
O rio que desce
Melancólico, busca
O lago outonal
O sol da manhã
Desvanece a neve
Pendente dos ramos
Depois da chuva,
brilham diamantes
Nas gotas que ficam
O sol despertou
Vencendo a neblina,
Floriu a campina
O vento suão
Transforma a campina
Mudando-lhe a cor
Nas noites de junho
Saltando fogueiras
Com risos de fumo
Nas noitesserenas,
Cantam em serenata
Os grilos no pasto.
Por, António Alberto
Fonte: http://www.infoescola.com/literatura/haicais/
Deixo aqui alguns exemplos, elaborados pelos alunos da Oficina da Poesia:
Expetativa
Maravilhoso
Campo de malmequeres
Amor risonho
Enamorados
Mal me quer, Bem me quer
Ternos afagos
Intimidade
Volúpia amorosa
Cores, matizes
Paixão sentida
Brilham as estrelas no Céu
O mundo suspenso!...
Por, Maria de Lurdes Louro Simas
___________________
Os sons da manhã,
Despertam os alegres
trinados das aves
Brotam as flores
Exóticas, perfumando
A manhã quente
A água da nascente
Desce sussurrante
Refrescando o ar
Dormem as águas
tranquilas do lago,
Nascem nenúfares
O rio que desce
Melancólico, busca
O lago outonal
O sol da manhã
Desvanece a neve
Pendente dos ramos
Depois da chuva,
brilham diamantes
Nas gotas que ficam
O sol despertou
Vencendo a neblina,
Floriu a campina
O vento suão
Transforma a campina
Mudando-lhe a cor
Nas noites de junho
Saltando fogueiras
Com risos de fumo
Nas noitesserenas,
Cantam em serenata
Os grilos no pasto.
Por, António Alberto
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